Vidro duplo virou sinônimo de conforto, mas nem toda promessa se confirma. Em alguns casos, ele ajuda muito no frio e na condensação; em outros, ganha pouco no calor ou no barulho. Este artigo reúne números de simulações e ensaios acadêmicos e mostra onde o vidro duplo vale a pena e onde não.
Para conhecer o serviço, veja janelas de vidro em Campinas. Se o foco é ruído, leia janela antirruído com vidro laminado; se é calor, veja a página de vidro acústico, insulado e de controle solar.
O que é vidro insulado
O insulado (ou duplo) tem dois vidros separados por um espaçador, formando uma câmara selada, segundo o catálogo de um fabricante (catálogo). Um resumo acadêmico informa que esse vidro costuma ser vendido já montado na esquadria.
Frio: o que os números mostram
Numa simulação para São Paulo, o U (transmitância térmica, que mede quanto calor atravessa o vidro) foi de 5,60 W/m²K no vidro simples incolor e de 1,88 no duplo incolor de 24 mm (material da UFSC). Menor U significa menos perda de calor pelo vidro. Em clima como o de Campinas, o ganho no inverno existe, mas o estudo não mede a nossa cidade.
Calor: o duplo comum ajuda pouco
O fator solar é a parcela do calor do sol que entra no ambiente. Na mesma simulação, o duplo incolor teve fator solar de 76% contra 82% do simples, ou seja, quase não bloqueia o sol. Só o duplo refletivo reduziu bastante: um estudo da Unijuí cita 25 (incolor refletivo), contra 70 (duplo comum) e 82 (simples), todos em vidro de 6 mm (estudo da Unijuí).
Na simulação da UFSC, o duplo reduziu o consumo anual de energia em 4% (com 30% de área de vidro na fachada) e em 7% (com 60%), comparado ao vidro verde simples. No mês frio, o consumo subiu 0,6%. Ou seja: o ganho é modesto e depende do projeto. Não prometemos percentuais como “até 70% menos calor”, que aparecem em materiais promocionais sem metodologia.
Barulho: o laminado pode ganhar do duplo
Num ensaio acústico publicado na revista Ambiente Construído, da UFRGS, com esquadria de PVC e persiana aberta, o vidro duplo 4(6)6 chegou a 30 dB, o simples de 4 ou 6 mm ficou em 29 dB e o laminado 4+6 chegou a 33 dB (artigo da UFRGS). Os valores valem para aquela esquadria, mas mostram que o duplo não superou o laminado.
Condensação
A condensação aparece quando a superfície interna fica abaixo do ponto de orvalho. Uma associação técnica portuguesa informa que ela pode continuar depois da troca de janela se a causa for ponte térmica no encontro com a parede, caixa de persiana ou pouca ventilação (APCMC). A mesma fonte diz que a selagem perimetral e o encontro janela-parede definem a estanqueidade e o conforto, e que a classificação do produto não corrige falha de obra. É fonte portuguesa, não brasileira.
O que não dá para afirmar
Não encontramos fonte confiável sobre os requisitos da esquadria para receber vidro insulado (peso, profundidade do rebaixo, drenagem, calços e selante), nem garantia de que o insulado nunca embace. Os números de U, de fator solar e de consumo vêm de simulações e estudos de caso, não de ensaio do produto que você vai comprar.
Como decidir
- O problema é frio, calor ou barulho? Cada um pede uma solução diferente.
- Peça o U e o fator solar do vidro no orçamento.
- Se o calor é o problema, olhe vidros de controle solar, não só duplos.
- Se o ruído é o problema, compare com laminado acústico.
- Confirme com o instalador se a esquadria comporta o vidro escolhido.
Peça uma medição
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